as pilhas!

25jan08

Era o grande dia! Ou melhor, a grande noite!

Nada melhor, para um casal de namorados, do que uma saidinha noturna com rumo ao motel…

Enquanto ele janta em sua casa, ela toma um banho de duas horas acompanhada de sua mais fiel amiga, Dona Gillette. Sim, porque pêlos são o oh, ela odeia e ele também.

Enquanto ele escuta música, ela escolhe a lingerie; fio dental quando ela quer ser mais fatal ou uma pequenininha, mas de algodão, quando ela está a fim de conforto ou de bancar a menininha. É bem normal ela vestir as várias opções e se olhar ao espelho antes de dar a cartada final e de ele andar a caminho do banheiro. Enquanto ele toma banho, ela se vira no dilema entre as tantas roupas que sente vontade de pôr, ou não. Normalmente, acaba optando por um vestido ou algo esvoaçante para ficar mais atraente. Homens gostam de imaginar o que há por baixo do que o vento insiste em não mostrar.

Enquanto, por fim, ele escova os dentes, passa um perfume e sai de casa, ela corre de um lado para o outro procurando os sapatos, dando uma geral no espelho, escolhendo o perfume, penteando o cabelo e produzindo a maquiagem. Segundos antes de ele buzinar, ela ainda faz caras e bocas para o espelho.

Ao entrar no carro, ela encena maravilhosamente o que ensaiou no banheiro e tasca-lhe um beijo, com fome. Apesar de ela já saber o destino, pergunta a ele aonde eles vão. Ele, para não ficar por baixo, faz um charme e pergunta aonde ela quer ir. Ela fala, porque é do tipo que mostra o que quer. Eles vão, felizes da vida, cantando, perfumados e sorridentes! Ela aproveita para mostrar que a champagne que ele pediu a ele que colocasse no freezer, de fato congelou. Ele ri e gosta assim mesmo.

Mulheres! O que importa é o que está por baixo do vestido, foda-se a champagne!

“Boa noite!”. Ele não deixa a gravação acabar, aperta o botão que o dedo já conhece de cor e patina os pneus, porque o carro faz isso, não ele. Entram na suíte, os amassos começam na garagem mesmo! São as preliminares que para ela, fazem toda a diferença! “Ele me deseja”.

O vestido é um detalhe que o chão da suíte conhece assim que eles fecham a porta! E aí começa a brincadeira, os olhares, as risadas, as mordidas…tudo lindo, gostoso e perfeito até que ele, muito empolgado, pega a câmera fotográfica que trouxe sem ela perceber. Faz uma cara de safado e liga a câmera na maior das maiores empolgações…na verdade, ele tenta ligar. Insiste, aperta o botão power por mais algumas vezes, até que faz uma cara de fim do mundo e exclama: as pilhas! Ela sorri e ao mesmo tempo em que acha fofo, está pouco se importando para as tais pilhas; ela quer é mandar ver! Porém, ele procura…tenta frustramente as do controle remoto (elas são palitos!), pede ao serviço de quarto para que abra a porta, fuça no carro, busca até mesmo no banheiro da suíte e NADA. Nem sinal de duas pilhas AA saltitantes.

É então que ela fala, brincando, “só se você for comprar!”. Ela não imaginava, mas acabara de dar a ele a visão da luz no fim do túnel. Ele pega o telefone e anuncia que precisa sair para comprar pilhas, neste momento as câmeras escondidas da suíte são acionadas (eu aposto!). O cara, muito educado e com certeza guardando o riso para si, diz que eles podem deixar a suíte e retornar, mas para isso, deveriam deixar pago. A vontade era tanta que ele aprova a condição no mesmo momento. Enquanto o cara enrola para abrir a porta, eles dão uma rapidinha e ela, para provocar (na hora boa, que coincide com a que a porta abre), diz “Vamos comprar as pilhas!”.

E lá vão eles para o posto mais próximo! Ela já está descabelada, amassada e com a roupa no seu indevido lugar, mas continua feliz da vida. Na verdade ela está se divertindo e adorando a excitação de ser realmente desejada.

Enquanto ele desce do carro para comprar as malditas, ela liga o som e escuta uma música tipo sertaneja; dessas que você não gosta, mas quando ouve sabe cantar. Ela sorri, canta rindo e ele entra no carro e como de costume, desliga o rádio. Tudo lindo.

Agora sim. Pilhas na mão, ou melhor, na câmera, vontade explodindo e trânsito liberado!

“Boa noite!”. Agora ele aperta o interfone e diz “Amigo, eu já paguei”. Ok, o cara lembra, confirma os dados e libera a porta. Ele não patina os pneus e eles chegam à já conhecida e desfrutada suíte…agora sim, mal dá tempo de entrar no quarto. É um rala e rola, um amor, uma fúria, o ápice! A champagne já tinha descongelado e eles brindam com o amor que brilha nessas noites. É tudo mais gostoso!

A câmera?

Ah sim! As pilhas serviram bem nela, mas alguém tinha que ter lembrado que ela estava ali para ser usada…

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