poluição verbal

25jun08

Sabe aqueles dias em que você nem escuta o despertador? Pois é..vai ver além do nariz, meu ouvido também estava entupido…

Puta merda! Depois de uma noite tranqüila e bem legal, eu acordei mal e, não rimou ¬¬ pense numa pessoa que chegou atrasada no trabalho, que não conseguia nem agüentar o peso da própria cabeça e que estava louuuca para ir pra casa. Ahaaam, essa sou eu! Quando fechei a pauta do dia, nem pensei em mais nada..caaaasa pra quê te quero?! :) espero que amanhã eu acorde melhor, bem melhor!

Então…recebi por e-mail hoje um texto muito legal da Lígia Fascioni; confesso que não conheço nada dela, além da sua coluna no Acontecendo Aqui que eu leio de vez em quando, mas o texto é muito bom e reflete o que eu também sinto a respeito desse assunto de sustentabilidade que a gente tanto vê por aí! Achei interessante publicar e dividir…

Exageros Ecológicos

A Casa da Mãe Joana - Verde

“Minha preocupação com o ambiente não vem de hoje: fui filiada ao Partido Verde durante toda a vida universitária (saí quando comecei a achar que ele não era muito diferente das outras cores). Já faz tempo penso que, na batida em que está, a ilha vai explodir logo e o planeta também não dura mais muito tempo.

O bom é que parece que agora o pessoal está se dando conta e mudando hábitos: sacolas biodegradáveis e reutilizáveis (providencialmente chamadas “ecobags”) estão na moda; a separação e a reciclagem de lixo são uma realidade; as revistas de negócios não param de estampar capas chamativas sobre o assunto; concursos de design sustentável pipocam pelo mundo; marcas famosas começam a se preocupar com a educação dos pequenos consumidores.

O problema é que a palavra ecologia (com as variantes “natureza”, “sustentável” e “meio ambiente”) virou literalmente capim e, por causa do excesso de exposição do tema, a coisa está primando mais pela aparência que pela essência. Ser sustentável o tempo todo é difícil (eu diria praticamente impossível), mas cada um faz o que pode. O que não dá é para sair desfilando por aí de ecologicamente responsável (pouquíssima gente poderia vestir o modelo) achando que está cheio de razão. Não está.

Agora mesmo, estava eu poluindo um pouco mais o ar de Florianópolis presa a um engarrafamento, quando paro atrás de um EcoSport com o estepe estampado: “Eu preservo a natureza”. Sempre impliquei com o nome desse modelo, pois acho muito difícil associar carro e ecologia, mas isso foi um pouco demais. Aquela enormidade sobre rodas só tinha uma pessoa dentro e estava, com toda certeza, com o ar condicionado ligado. Nenhum problema, eu estava quase na mesma situação (exceto pelo meu mínimo Ford KA e pelo ar condicionado), mas meu senso de hipocrisia não permitiria tais arroubos. Sinceramente, tenho vergonha.

O trânsito avança mais um pouco e encontro um CrossFox estiloso com seu estepe todo verde e os dizeres: “A ecologia é o meu país”. Esse tinha um agravante: o motorista estava fumando! Cheguei a ver o sujeito jogando a bituca no chão na sinaleira seguinte.

As campanhas publicitárias despejam declarações de amor à natureza de uma maneira tão irresponsável e leviana que penso que esse tema, pela sua gravidade, mereceria algum debate. Certamente as capas de estepe desses carros enormes vendem porque têm apelo, estão na moda. A propaganda do EcoSport chega a ser constrangedora se a pessoa for parar para pensar no que é vendido como conceito.

A idéia tem contaminado jovens bem intencionados, porém, sem noção. Esses dias vi uma moça bem produzida e elegante que vestia uma camiseta muito original. Tinha um aplique feito de uma espécie de resina plástica que dizia: “Sou contra o aquecimento global”. Ainda bem, já pensou se ela fosse a favor?
Era uma versão mais cosmopolita da camiseta do namorado “Desmatamento: isso tem que acabar!”. Além dos modelitos, será que eles realmente fazem algo mais objetivo a respeito do assunto?

Campanhas a favor de um mundo sustentável são bem-vindas, mas a contradição freqüente acaba tirando a credibilidade da mensagem. Enquanto a gente não lapida o nosso comportamento a um ponto que mereça louvores auto-promocionais, penso que poderíamos ser mais discretos na exposição pouco modesta de nossa consciência ecológica. Poluição verbal também é poluição…”

OBS: A bellinha, minha cadela, passa bem ;) ela saiu toda faceira ontem, do veterinário!
OBS2: A foto do post é de minha autoria.

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One Response to “poluição verbal”

  1. Excelente texto. A “sustentabilidade ambiental” hoje ainda é muito mais marketing do que realidade. E isso tem atraído milhões de consumidores, principalmente pelo forte apelo de “fazer algo pelo planeta”. Acredito que caminhamos para uma consciência mais verdadeira neste tema, porém o percurso ainda é longo. Quiçá possamos ver acontecer antes dos nossos filhos!


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